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COPA DO MUNDO | Prefeitura do Rio lança concurso para premiar ruas decoradas durante o Mundial e aposta em tradição popular para movimentar cultura e turismo
A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu transformar uma das tradições mais marcantes das Copas do Mundo em política oficial de incentivo cultural. Publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (28), o decreto que cria o concurso “Acreditar é uma Arte — O Rio nas Cores do Hexa” vai premiar as ruas mais decoradas da cidade durante o próximo Mundial, reforçando a aposta da gestão municipal na mobilização popular em torno do futebol.
A iniciativa pretende incentivar moradores de diferentes bairros a ornamentar ruas, vilas e travessas com bandeiras, pinturas, faixas, iluminação temática e elementos inspirados na seleção brasileira, no futebol e na cultura nacional. A proposta também busca fortalecer o espírito comunitário e transformar a cidade em um grande cenário cultural durante os jogos do Brasil.
Segundo o decreto, a rua vencedora receberá R$ 50 mil. O segundo lugar ganhará R$ 30 mil, enquanto o terceiro colocado ficará com R$ 20 mil. As vinte ruas finalistas ainda receberão placas comemorativas em reconhecimento pela participação no concurso.
A avaliação será feita por uma comissão julgadora formada por representantes das secretarias municipais de Cultura, Casa Civil, Coordenação Governamental e Esportes. Entre os critérios esperados para análise estão criatividade, originalidade, organização coletiva, impacto visual e valorização da identidade cultural carioca.
O edital completo com as regras detalhadas, cronograma e período oficial de inscrições deve ser divulgado até a próxima segunda-feira.
Tradição histórica das ruas decoradas
As ruas enfeitadas fazem parte da memória afetiva das Copas do Mundo no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Desde as décadas de 1970 e 1980, moradores se organizam para pintar o asfalto com imagens da seleção, instalar bandeirinhas aéreas, montar painéis temáticos e criar verdadeiros corredores verdes e amarelos nos bairros.
Em regiões suburbanas e periféricas da cidade, essa tradição ganhou força como manifestação popular e comunitária. Em muitos locais, vizinhos realizam vaquinhas para comprar materiais e passam semanas preparando as ornamentações antes do início do torneio.
Com o passar dos anos, algumas ruas decoradas se transformaram em pontos turísticos improvisados durante a Copa, atraindo visitantes de diferentes partes da cidade e até turistas estrangeiros interessados no clima festivo carioca.
A prefeitura pretende justamente aproveitar esse potencial cultural e turístico para ampliar a circulação de pessoas, estimular pequenos comércios locais e movimentar economicamente os bairros durante o período do Mundial.
Cultura popular e impacto econômico
Além do aspecto esportivo, o projeto também busca valorizar a produção cultural feita pelos próprios moradores. Em muitas comunidades, artistas locais, grafiteiros, artesãos e moradores participam diretamente da criação dos cenários, transformando as ruas em espaços coletivos de arte urbana.
Especialistas em turismo e economia criativa apontam que eventos ligados à Copa costumam gerar aumento na movimentação de bares, restaurantes, ambulantes e pequenos empreendedores, especialmente em áreas com forte concentração de torcedores durante os jogos.
A expectativa da prefeitura é que o concurso estimule não apenas o clima de festa, mas também ações de convivência comunitária e pertencimento urbano em diferentes regiões da capital fluminense.
Competição saudável entre bairros
Historicamente, algumas ruas do Rio já ficaram conhecidas pelas grandes produções montadas durante Copas anteriores, criando até disputas simbólicas entre bairros pela decoração mais elaborada da cidade.
Em edições passadas do torneio, localidades da Zona Norte, Zona Oeste e subúrbio carioca chamaram atenção pelas pinturas detalhadas no chão, réplicas de taças, painéis gigantes de jogadores e estruturas cenográficas montadas pelos próprios moradores.
Agora, com a oficialização do concurso e a premiação em dinheiro, a tendência é que a disputa cultural ganhe ainda mais força na próxima Copa do Mundo.
A prefeitura avalia que o projeto pode se consolidar como um dos principais eventos populares ligados ao Mundial no Rio, unindo esporte, cultura, turismo e participação comunitária em um único movimento espalhado pelas ruas da cidade. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano