Religião
CNBB monitora ataques à devoção a Nossa Senhora Aparecida e reage a acusações em meio ao debate político
A Igreja Católica no Brasil, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acompanha desde 2019 episódios que, segundo a entidade, envolvem tentativas de deslegitimar a devoção a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. O monitoramento teria começado durante o primeiro ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e se estendido ao longo dos anos.
A informação foi apresentada pela jornalista e apresentadora Daniela Lima, do UOL. Segundo ela, o acompanhamento realizado pela Igreja também envolve ataques a templos e manifestações contra diferentes tradições religiosas, entre elas religiões de matriz africana, o catolicismo e o judaísmo.
Ainda de acordo com a jornalista, a preocupação da instituição está relacionada também ao uso político da fé e a discursos que questionam a legitimidade de símbolos, imagens e práticas religiosas tradicionais.
Flávio Bolsonaro critica a CNBB
A discussão ganhou novo impulso após o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fazer críticas públicas à CNBB. O parlamentar acusou a entidade de ter colaborado com a disseminação de informações falsas envolvendo seu nome e o debate religioso durante o período eleitoral.
A acusação, porém, não foi acompanhada, nas declarações mencionadas, de provas que comprovassem a participação da CNBB na produção ou divulgação desse tipo de conteúdo.
CNBB nega disseminação de notícias falsas
No domingo (27), a CNBB divulgou uma nota em que negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
A entidade também afirmou que não integra estruturas político-partidárias, partidos ou candidaturas. Segundo a conferência, suas manifestações durante períodos eleitorais fazem parte de sua atuação pastoral e são orientadas por princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência.
Na nota, a CNBB declarou ainda que atribuir à instituição participação na produção ou disseminação de desinformação sem a apresentação de fatos e provas atinge a entidade.
Debate sobre Nossa Senhora Aparecida
A discussão sobre a denominação de Nossa Senhora Aparecida também voltou ao centro do debate após informações divulgadas no programa Em Pauta, da GloboNews, sobre uma possível retomada de uma proposta apresentada originalmente em 2007.
O Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do então deputado Professor Victorio Galli, propunha alterar a legislação para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A proposta abriu, à época, uma discussão sobre a relação entre símbolos religiosos, identidade nacional e a natureza laica do Estado brasileiro.
Conclusão
O episódio reúne questões religiosas e políticas que vêm sendo debatidas no Brasil há anos. De um lado, a CNBB afirma acompanhar manifestações que considera ofensivas ou deslegitimadoras de tradições religiosas; de outro, surgem acusações de envolvimento político da entidade, negadas pela própria conferência.
O debate sobre Nossa Senhora Aparecida, portanto, ultrapassa a questão de uma denominação religiosa e envolve temas como liberdade religiosa, pluralidade de crenças, participação das instituições religiosas no debate público e os limites entre religião e política. Nesse contexto, acusações de atuação político-partidária ou de disseminação de desinformação devem ser analisadas a partir de fatos e provas verificáveis. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano