Brasil
Brasil atinge 2 milhões de trabalhadores por aplicativo, mas enfrenta maior informalidade e menor renda
O Brasil alcançou a marca de cerca de 2 milhões de trabalhadores por aplicativos em 2025, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), conduzida pelo IBGE em parceria com o Ministério Público do Trabalho e a Unicamp. Ao considerar apenas quem tem a plataforma como atividade principal, o contingente soma 1,8 milhão de pessoas — uma alta de 9,1% frente a 2024 e de 36,8% em relação a 2022. O maior avanço ocorreu entre os entregadores, cujo grupo cresceu 18,6% em um ano. Atualmente, três em cada quatro profissionais do setor de transporte e logística atuam intermediados por plataformas digitais.
Apesar do crescimento do setor, impulsionado pela flexibilidade e pela falta de oportunidades no mercado tradicional para um público predominantemente masculino (84,4%), as condições de trabalho apontam grande precariedade. Os profissionais cumprem, em média, 5,4 horas a mais por semana do que empregados não plataformizados para obter rendimentos equivalentes, recebendo R$ 16,20 por hora — valor 12% menor que a média de R$ 18,40 dos demais trabalhadores. Além disso, a taxa de informalidade na categoria atinge 72,1%, e apenas 34% possuem cobertura da Previdência Social, bem abaixo do índice de 63% registrado no restante do setor privado.
Conclusão
A expansão do trabalho por aplicativo consolida as plataformas digitais como uma das principais válvulas de escape do mercado de trabalho brasileiro, garantindo renda para milhões de famílias. Contudo, a combinação de jornadas exaustivas, remuneração defasada por hora e desproteção previdenciária expõe a urgência de avançar em marcos regulatórios que garantam direitos básicos e sustentabilidade financeira a esses profissionais sem sufocar a inovação do setor. Por podcast edinhotaon / Edno Mariano