Brasil
AVANÇO NA SAÚDE|Novo Centro de Radioterapia amplia em 150% atendimento oncológico no Rio e reforça tratamento de alta complexidade pelo SUS
O Governo do Estado do Rio de Janeiro entregou, nesta sexta-feira (26), o Centro de Radioterapia Dr. Marcello Reis, instalado no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IECPN). A principal novidade da unidade é a entrada em funcionamento de um acelerador linear de última geração, equipamento que amplia em 150% a capacidade de atendimento a pacientes com tumores de cérebro e coluna pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalece a estrutura da rede pública de oncologia de alta complexidade.
A inauguração marca um importante avanço na assistência aos pacientes oncológicos, especialmente aqueles que necessitam de radioterapia especializada. Com o novo aparelho, o número de atendimentos mensais passará de 28 para até 70 pacientes, reduzindo significativamente o tempo de espera para o início do tratamento, um fator considerado decisivo para aumentar as chances de controle da doença e melhorar o prognóstico dos casos.
Durante a cerimônia de entrega, o governador em exercício, Ricardo Couto, destacou que a incorporação da nova tecnologia representa mais um passo na modernização da saúde pública estadual.
“O acelerador linear é um grande avanço no tratamento oncológico, que aumenta as chances de êxito na busca da cura. O Governo do Estado está empenhando todos os esforços para alcançar o patamar ideal na oferta de serviços de saúde à população”, afirmou.
O investimento total no novo centro foi de R$ 32 milhões. Desse montante, R$ 21 milhões foram destinados exclusivamente à aquisição do acelerador linear, com recursos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Os demais investimentos contemplaram obras de infraestrutura, adequações técnicas e a instalação dos sistemas necessários para o funcionamento do equipamento.
O acelerador linear é considerado um dos principais equipamentos utilizados na radioterapia moderna. Ele emite feixes de raios X de alta energia direcionados com precisão milimétrica ao tumor, destruindo o DNA das células cancerígenas e impedindo sua multiplicação. A tecnologia permite concentrar a radiação na área afetada, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor da lesão, o que reduz os efeitos colaterais e melhora a qualidade de vida dos pacientes durante o tratamento.
As sessões são indolores e costumam durar entre 15 e 20 minutos, sendo realizadas de forma ambulatorial. A quantidade de aplicações varia conforme o tipo, o tamanho e a localização do tumor, além da avaliação da equipe médica responsável pelo tratamento.
O novo equipamento passa a complementar a estrutura já existente no Instituto Estadual do Cérebro, que também conta com o Gamma Knife, tecnologia de alta precisão voltada para radiocirurgias cerebrais. Diferentemente da cirurgia convencional, o procedimento é realizado sem cortes, utilizando centenas de feixes de radiação concentrados exatamente sobre a lesão, tornando-se uma alternativa menos invasiva para diversos tipos de tumores e malformações cerebrais.
A combinação entre o Gamma Knife e o acelerador linear transforma o Instituto Estadual do Cérebro em uma das unidades públicas mais completas do país para o tratamento de tumores do sistema nervoso central, oferecendo diferentes modalidades terapêuticas conforme as características clínicas de cada paciente.
O secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião, ressaltou que a entrega integra o processo de modernização da rede estadual de saúde e amplia a capacidade de atendimento em procedimentos de alta complexidade. Segundo ele, o objetivo é reduzir filas, incorporar tecnologias de ponta ao SUS e garantir que pacientes tenham acesso a tratamentos cada vez mais modernos sem precisar recorrer à rede privada.
O fortalecimento da estrutura de radioterapia também acompanha o crescimento da demanda por tratamento oncológico no Brasil. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra centenas de milhares de novos casos de câncer a cada ano, e aproximadamente metade dos pacientes necessita de radioterapia em alguma etapa do tratamento. A ampliação da oferta desses serviços na rede pública é considerada estratégica para reduzir atrasos terapêuticos e aumentar as chances de sucesso no combate à doença. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano