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ARARIBÓIA: O LÍDER INDÍGENA QUE VIROU MONUMENTO EM NITERÓI
Estátua em homenagem á cacique gerou debate ao ser realocada no ano passado
O líder temiminó Araribóia ganhou uma estátua inaugurada em 1973 como parte das comemorações dos 400 anos de Niterói. Posteriormente batizado com o nome cristão de Martim Afonso de Souza, Araribóia foi peça crucial na fundação da cidade. Sua tribo aliou-se aos portugueses na guerra contra os tupinambás da Baía de Guanabara e, como recompensa, ganhou o território.
Em abril do ano passado, a estátua de Araribóia foi retirada da frente do terminal das barcas, no Centro de Niterói, e gerou controvérsia entre os moradores da região. Alguns eram contra a realocação, outros sequer compreendiam a importância do tributo ao indígena. O monumento foi realocado a cem metros de seu ponto original, em frente ao Espaço Cultural Correios, entre as ruas Aurelino Leal e José Clemente.
A mudança ocorreu como parte do projeto de revitalização urbana Orla Centro. De acordo com a prefeitura, o novo local reforçava o papel simbólico de Arariboia como protetor da cidade, mantendo a estátua voltada para as águas da Baía de Guanabara e posicionando-a na nova área de contemplação.
“A estátua de Araribóia foi posicionada de frente para o mar, agora, em um ponto mais adequado para que ele possa vigiar as águas da Baía de Guanabara. Com a expansão urbana, a escultura foi sendo cercada por construções que ofuscavam esse sentido. Com a revitalização do Centro e a criação de um grande espaço público de convivência, estamos resgatando essa história e reforçando o lugar de Araribóia na vigilância da Baía de Guanabara e como protetor de Niterói”, disse o prefeito Rodrigo Neves.
Apesar de seu papel de liderança na luta contra os franceses, muitos ainda não conhecem a história do cacique e questionam o motivo do monumento em seu nome. O pesquisador Luiz Antonio Simas revelou que durante as deliberações do Comitê dos 450 anos de fundação de Niterói, o nome de Araribóia não entrou pacificamente no rol dos heróis consensuais do Estado, despertando estranhamento e até oposição. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano