Mundo
A arte respira com a terra através de microformatos que atravessam continentes para refletir sobre a paz a partir de uma perspectiva de consciência ambiental
Por Luzia Moraes.
Nossos tempos são marcados pela urgência ecológica e pelas fraturas sociais, e a arte assume mais uma vez um papel que jamais deveria ter abandonado: o de consciência ativa. A chamada internacional para submissões, promovida pela Arte Sem Fronteiras pela Paz (ASFP) na Colômbia e pelo Centro de Arte Moderna Hariom na Índia, não é apenas um convite à criação; é um chamado ético para pensar o mundo através da sensibilidade artística.
Sob o tema “Consciência Ambiental e Paz”, esta exposição coletiva em microformato propõe um diálogo profundo entre territórios, culturas e perspectivas que, embora geograficamente distantes, compartilham as mesmas preocupações essenciais.
O intercâmbio cultural que sustenta esta iniciativa é liderado por figuras que entendem a arte como uma ferramenta de transformação social. Hariom Bawa, artista visual e educador indiano, estabeleceu, por meio do Centro de Arte Moderna Hariom, um espaço onde a criação dialoga com a educação e a comunidade. Da Colômbia, César Augusto Rincón González, advogado e gestor cultural, transformou Arte Sem Fronteiras pela Paz em uma plataforma internacional onde a arte se entrelaça com os valores da convivência, dos direitos humanos e da cooperação global. A essa rede junta-se a psicóloga Herminia Cruz Recinos, diretora do Grupo Renacer – Vestígios que Contam Mil Histórias, cuja participação, vinda do México, traz uma perspectiva sensível sobre a arte como narrativa emocional e curativa.
Os espaços da exposição reforçam sua dimensão simbólica. Na cidade de Neiva, com o apoio de Alexander Peña Rivera, coordenador da Biblioteca da Universidade Cooperativa da Colômbia (UCC), ela se torna um ponto de encontro entre o conhecimento acadêmico e a criação artística, ressaltando a necessidade de integrar o pensamento crítico e a sensibilidade estética. Em Haryana, a galeria “Amanhã”, em Bhiwani, projeta a exposição para o futuro, lembrando-nos que a paz e a sustentabilidade não são slogans do presente, mas compromissos com as gerações futuras.